"Tem horas que um homem precisa lutar e tem horas que ele precisa aceitar a derrota para o destino. O navio passou. Somente um tolo persiste, e daí? Eu sempre fui tolo mesmo?" Filme: Peixe Grande
quarta-feira, abril 29, 2009
A Moça Tecelã
Eu sei, mas não devia
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
As regras nem sempre são obedecidas
regra três
vinicius de moraes
Composição: Vinicius de Moraes / Toquinho
Tantas você fez que ela cansou
Porque você, rapaz
Abusou da regra três
Onde menos vale mais
Da primeira vez ela chorou
Mas resolveu ficar
É que os momentos felizes
Tinham deixado raízes no seu penar
Depois perdeu a esperança
Porque o perdão também cansa de perdoar
Tem sempre o dia em que a casa cai
Pois vai curtir seu deserto, vai.
Mas deixe a lâmpada acesa
Se algum dia a tristeza quiser entrar
E uma bebida por perto
Porque você pode estar certo que vai chorar
Com licença poética
Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.
Quando descobrimos uma música
sérgio reis
Composição: Sérgio Reis
Se você pensa
Que meu coração é de papel
Não vá pensando, pois não é
Ele é igualzinho ao seu
E sofre como eu
Por que fazer chorar assim
A quem lhe ama
Se você pensa
Em fazer chorar a quem lhe quer
A quem só pensa em você
Um dia sentirá
Que amar é bom demais
Não jogue amor ao léu
Meu coração que não é de papel
Por que fazer chorar
Por que fazer sofrer
Um coração que só lhe quer
O amor é lindo eu sei
E todo eu lhe dei
Você não quis, jogou ao léu
Meu coração que não é de papel
segunda-feira, abril 27, 2009
“Todo carnaval tem seu fim”
No carnaval de 2009 Ana Maria, lembram-se dela? Aquela que viveu uma história de carnaval lembrou? Pois é... a doce Iemanjá escolheu alguém para beijar no carnaval e se apaixonou. Durante dois meses viveu uma história de carnaval (pouco tempo não é?).
Ana Maria tentou compreendê-lo, aceitar seu comportamento estranho, aceitar sua excessiva sensibilidade.... Porém diante de tantas idas e vindas, de tantos altos e baixos a doce Iemanjá decidiu terminar com a sua história de carnaval. Eu pensei que a Ana Maria fosse amar novamente, ser feliz e compartilhar seus momentos com alguém inteligente, maduro e tranqüilo. Doce ilusão... o seu escolhido é instável emocionalmente e diversas vezes a deixava só! A Ana Maria logo pensou: Não posso permitir viver novamente uma história de privações, lamentações e solidão.
Ufa! O lado bom dessa história é que podemos perceber que a Ana Maria aprendeu com os acontecimentos do passado e, ao diagnosticar a situação presente, a doce Iemanjá rompeu de imediato, não se permitindo a permanecer em uma condição desconfortável por um longo período. Isso significa EVOLUÇÃO.
Respeitando-se, a Ana Maria segue convicta de que seu “coração não é de papel” e, espera em breve recuperar-se do fim de mais carnaval sem, com isso, perder-se, pois o bem maior ela já conseguiu: hoje se ama mais que a qualquer coisa.
Camila Braga
27/04/2008
Uma história de carnaval
“Já é carnaval cidade...” e a cidade está toda acordada em meio a tantas músicas com letras de conteúdo vazio e danças sensuais que mais parecem (hum... será que parecem mesmo???) deixa prá lá! O nível de promiscuidade é altíssimo nessa época do ano. Ouvimos (ouvimos? Eu também? Hum... menos eeeeuuu.... é claro rsrs....) todos os nossos ímpetos sexuais e agressivos, e pior, não refletimos e anestesiamos a consciência com as bebidas alcoólicas.
Nesse carnaval conheci Ana Maria, não aquela do biquíni de bolinhas amarelinhas (xiiii acabei de denunciar minha idade), mas uma garota de verdade.
Bem, Ana Maria me falou que gosta muito de festas, brincar e se divertir. Ama os amigos e, sobretudo ama viver. Mas, Ana Maria sempre soube agir comedidamente em muitas situações e por isso sempre foi a mais centrada da turma....o exemplo.
Nesse carnaval Ana Maria enlouqueceu rsrs... não no sentido patológico, mas Ana fez coisas diferentes (Bem que ela havia prometido na virada do ano que iria mudar ... mas todos não prometem a mesma coisa? Parece que a Ana cumpriu!!) de fato, Ana Maria confessou que desde Janeiro vem fazendo diferente e pensando diferente...
Como toda mulher comedida, centrada e confiante de seus ideais, Ana Maria estudou, formou-se e trabalha... é independente! (independente? Hum... você é independente? Eu ainda não sou, mas a Ana Maria é!).
Na primeira festa de carnaval de 2009 Ana Maria tinha bebido muito e me falou que naquele dia ela iria escolher uma boca para beijar afinal... é carnaval e aqui as pessoas fazem isso Não é mesmo? (eu que não faço rsrs...)
Pois é... Ana Maria realmente está fazendo diferente. Porém a doce Iemanjá não imaginava que o beijo era mágico e que viciava rsrsr... agora ela quer sempre o mesmo beijo.... é burra essa Ana Maria... seu primeiro ano solteira em Salvador e se apaixona no primeiro beijo. Você pode não acreditar, mas Ana Maria quer apenas o beijo do seu escolhido. É porque nem contei que a Ana Maria escolheu aquele que ia beijar e agora? Quer viver uma história de carnaval!
Camila Braga
24/02/2009
Quando a gente se apaixona...
Quando a gente se apaixona a vida fica mais leve, o coração bate mais forte, os olhos brilham em um tom indescritível. As cores do mundo ficam mais vivas e intensas e a respiração parece faltar em alguns momentos. Além dessas características, quando a paixão é correspondida os pés nem pisam no chão...
Porém, quando a paixão não é correspondida, sentimos uma dor no fundo do peito e uma leve irritação no dia a dia.
Paixão é isso, não acontece com hora marcada, nem escolhemos a quem nos apaixonar.
E o amor? Acabei de descobrir que existem vários tipos de amores.
O sociólogo John Alan Lee, pesquisou em 1973, em textos filosóficos antigos, seis arquétipos do amor, são eles:
EROS: o amor romântico – onde predomina a paixão, a atração sexual. Reconhecemos em nosso parceiro a completude de nossas sensações.
LUDUS: o amor lúdico – esse amor é aventureiro, os seus adeptos não possuem parceiros fixos, e então, vivem sempre a procura de novas conquistas.
STORGE: o amor amigável – esse amor transmite uma sensação de cooperação, normalmente, surge de uma amizade.
MANIA: o amor ciumento – esse amor causa sintomas terríveis ao seu adepto; sensação de posse e falta de concentração.
PRAGMA: o amor pragmático – esse amor usa, ou pelo menos tenta usar, a razão.
ÁGAPE: o amor altruísta – esse amor preza em doar-se e está sempre preocupado no bem estar do companheiro, ou seja, um amor burro e bem feminino!
Então os arquétipos Eros, Ludus, Storge, Mania, Pragma e Ágape são a maneira didática de classificar as nossas neuroses amorosas. Penso que poderíamos transitar por eles de tempo em tempos, mas alguns especialistas dizem que trazemos em nossos genes a característica de um desses arquétipos.
Quanta injustiça! Não temos a chance de escolher a quem amar e nem como amar.
Eu já sei qual o meu arquétipo, e você, sabe qual é o seu?
Camila Braga 13/04/2009
Coisas engraçadas em que acreditamos
Pensamentos...
Nem sempre o que eu quero acontece, mas SEMPRE o que eu penso acontece. Certa vez eu li, em algum lugar, que deveríamos cuidar para que os pensamentos não virem palavras e, por sua vez, as palavras não virem ações. Certa da força dessa afirmação surge, então, a necessidade de passar os dias a controlar-me. Coisa chata passar horas controlando os pensamentos e, pior ainda, controlar as palavras. As vezes penso que elas fluem por vontade própria, sem grandes intenções. Na certa são os pensamentos tentando manipular... então digo: Páaaaaaraaaaa... assim fico louca.
Gostar...
Coisa engraçada é gostar de alguém. Olho, observo, analiso e, então digo: vou gostar de você! É assim mesmo que acontece?
Amar...
Biblicamente o amor é descrito como um sentimento incondicional. Penso que é humanamente impossível não condicionar os sentimentos, as ações e assim, não condicionar a permanência de alguém em nossas vidas. Querer alguém TODOS querem, mas como? De que jeito?
A humanidade passa por diversas crises atualmente; a crise do amor, ou melhor, da falta de amor, certamente tem tornado a vida mais complicada e mais difícil de conduzir.
Pensar...Gostar... Amar... Sensações humanas incríveis
Pensamentos de uma noite de verão
Um dia pensei: eu o amo, mas não estou feliz!
É mesmo possivel? Se amamos e temos a pessoa amada ao nosso lado? Isso parece incoerente. Após muitas noites de insônia logo conclui: não sou feliz porque o outro não está feliz ao meu lado. Assim tomei uma rasteira da vida. Percebi que muitas vezes sonhamos sozinhos, amamos sozinhos e estamos sozinhos, mesmo estando acompanhados...
Camila Braga em 12/02/2009